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A copa 2014 começou na Colômbia
O primeiro jogo no Mineirão será dia 14 de junho às 13h e jogarão "Colômbia e Grécia"
O meu gol foi marcado em 09 de agosto de 2012 em Bogotá e nos próximos dias vocês saberão o porque......
Era final de julho de 2012 e fui convidada, pela amiga Monica Rangel, e pelo André Vilaron da Embratur, para cozinhar em Bogotá no projeto de divulgação da Copa. Era o segundo evento do projeto e os responsáveis seríamos eu e o chefe Carlos Ribeiro, do restaurante paulistano "Na Cozinha". Seríamos responsáveis pela preparação do coquetel para 300 pessoas e um jantar que representasse o Brasil.
Não nos conhecíamos pessoalmente. Trocamos alguns e-mails com sugestões de cardápio e eu senti que de fato nosso time tava formado e que nossa equipe ia "bater um bolão". Ele tinha escolhido pratos do norte e nordeste e eu do Sul e Sudeste, sem nenhuma combinação anterior.
Era um projeto da Embratur, que faria a divulgação das cidades sedes da Copa do Mundo e com isso teríamos 12 eventos com um chefe da cidade Sede e dois convidados e dois eventos onde dois chefes representariam o Brasil, através da nossa culinária. O primeiro seria na Colômbia e o segundo, para encerrar seria em Nova Iorque.
Eu, no Sul de Minas, e Carlos Ribeiro em São Paulo começamos a fazer nossas malas e arrumar o isopor para levar ingredientes que não encontraríamos por lá.
Dois dias antes de embarcar fomos avisados de que não poderíamos entrar com produtos alimentícios e aí nossas malas de ingredientes tiveram que ser reduzidas pois a partir daquele momento passamos a exercer o papel, que nós cozinheiros conhecemos tão bem......Teríamos que levar nossas iguarias enroladas em camisetas, calças jeans, dentro de meias e camufladas em nossas malas.....pois como é que eu poderia fazer "Biscoito de Polvilho Frito" sem o Polvilho. Será que existiria polvilho em Bogotá?
....e cachaça?....e fubá de moinho?.....e pequi?......enfim, cada um de nós carregava uma mala cheia de histórias e que renderiam boas estórias.
Nos encontramos no aeroporto de Guarulhos, e fomos muito bem acompanhados e "mimados" por nosso querido Juan Corbalan, que resolvia tudo.....passagens....liberação de bagagens.....ingredientes que faltaram no último instante......
Parecíamos velhos conhecidos e durante os 5 dias que passamos juntos nos tornamos grandes amigos.
Chegamos ao hotel, onde aconteceria o evento, e antes de nos instalarmos fomos conhecer a cozinha. O chefe foi muito atencioso e para nossa surpresa estaria de folga no dia seguinte, porque era feriado na cidade e isso significava que não poderíamos começar as preparações.
Isso nos causou certa ansiedade e o chefe do hotel gentilmente se ofereceu para passar o dia seguinte conosco, apresentando-nos a cidade.
Resolvemos jantar no restaurante do hotel e fomos surpreendidos por dois ingredientes usados nos pratos.....banana e abacate. Banana Chips, banana Frita, Picadinho com Purê de Banana apresentado como um escondidinho e a maior surpresa do jantar.....uma das entradas era um pastel de milho acompanhado de creme de abacate e quando chegou à mesa era o nosso conhecido "Pastel de Angu" recheado com carne moída e batata doce.
Tínhamos ido mostrar nossa cozinha e, de repente, nos víamos diante de coisas tão familiares. Tinha até um refrigerante que tinha a cor e o dulçor do nosso "Guaraná Jesus".
Estávamos cansados e resolvemos dormir cedo porque no dia seguinte começaríamos no Centro de Abastecimento de Bogotá.
A noite demorou à passar e eu me sentia como uma criança no primeiro dia de aula, que tem medo de dormir e perder a hora da escola.
Como todo cozinheiro sou apaixonada por mercados e a promessa de conhecer novos ingredientes, novos sabores, me deixou completamente excitada e no dia seguinte às 6 eu estava de pé, esperando nosso anfitrião que nos pegaria às 8h.
Como todo hotel internacional o café da manhã atendia a todos, mas também contemplava a cozinha local e apresentava pratos que, ao nosso ver, deveriam ser servidos no almoço ou jantar.
Comemos pouco e não sabia se era a ansiedade para conhecer a cidade ou pelo evento, que aconteceria no prazo de 2 dias.
Nossos anfitriões chegaram. Anfitriões, porque o chefe levou junto sua gentil esposa, que é filha de um historiador e tem verdadeira paixão pela cidade, sua cozinha, sua história e memória. Ali, de fato, começou nossa viagem.
E bem sabíamos que era uma viagem sem volta, porque quando mergulhamos em outra cultura temos nossas almas tatuadas.
O chefe nos apresentava ingredientes, fornecedores e andava pelos corredores como se caminhasse por sua casa e nós entendemos bem o que era aquilo porque mesmo sendo um outro país, nós o acompanhávamos como se aqueles corredores com frutas e legumes em carrinhos e bancas de madeira fossem o nosso Ceasa.
Isso ficava mais familiar cada vez que encontrávamos ingredientes do nosso dia-a-dia e nos olhávamos com certa cumplicidade.
Ingredientes desconhecidos nos foram apresentados e a cada descoberta podíamos ouvir as batidas dos nossos corações, que não eram abafadas por aquele barulho de mercado de rua.
Foram quase 4 horas naquele parque de diversões e mal sabíamos que nosso dia estava só começando. Nossos gentis anfitriões ficaram felizes quando trocamos um almoço em um restaurante da moda, por uma festa que estava acontecendo nas ruas.....afinal era o aniversário da cidade. Partimos em direção ao centro histórico e começamos nossa caminhada visitando o Museu do Botero e depois fomos atraídos pelos perfumes que vinham das comidas de rua.
Esse foi o nosso primeiro dia em Bogotá e voltamos pro hotel, já anoitecendo, e mesmo depois de termos passado o dia comendo, tomamos um banho e saímos para jantar, afinal o maior prazer de um cozinheiro é Comer.....
Amanhã......postarei sobre o jantar no Astrid e Gaston e o almoço em um restaurante escondido em um bairro afastado de Bogotá.
Sonhos sonhados juntos tornam-se realidade......
Hoje comemoramos o "Terra Madre Day" aqui em Tiradentes. Um café da manhã organizado pelo recém formado "Convivium Tiradentes".
E enquanto acontecia a grande festa, planejada enquanto formávamos o convivium no final de novembro, eu me lembrei de uma frase dita pelo Sr. Carlo Petrini, fundador do slow food no Terra Madre em Turim em 2010....."Sonho que se sonha sozinho é utopia mas sonho sonhado junto é realidade".
Mais uma vez cá estou eu falando de sonhos. Ainda tenho muitos mas me sinto cada vez mais perto de cada um que ainda não consegui realizar.
Ter feito a escolha de morar em Tiradentes é me trazer a sensação de estar no lugar certo, na hora certa. Muitas estradas foram percorridas até aqui. Algumas de terra, cheias de pedras, buracos e lama. Algumas que pareceram um tapete tecido com os mais finos fios. Algumas indicando os caminhos e paradas e outras completamente sem placas. Mas todas elas me traziam a certeza de que o caminho final seria o caminho do coração.
Acertei em cheio.....aqui encontrei pessoas que buscam as mesmas coisas, que lutam pelo que acreditam, que acreditam que dá pra semear e ter a paciência que a natureza exige, para colher o fruto no seu tempo.
Hoje foi um dia mágico, um dia que ficará na memória, estampado no rosto do David e do Nilo depois de um banho na fonte.
Esse foi o primeiro "Terra Madre Day" do nosso convivium mas acendeu a chama do encontro, do fazer junto e outros cafés da manhã serão compartilhados. O meio dia passado juntos deu vontade de um dia inteiro.....o queijo do João Dutra nos fez traçar um roteiro para visitar sua produção e também a de outros produtores de queijo de leite cru, cada ingrediente do café da manhã tinha uma história para contar, trazia o sabor dos seus criadores....Hoje fomos alimentados uns pelos outros e saímos todos gratos pela experiência e pela amizade.
Obrigada a todos que estiveram de corpo ou coração.......até o próximo encontro.
Uma boa receita para a felicidade
Para termos um bom resultado nessa receita, primeiro temos que ter sonhos, depois acreditar neles e depois não ter medo de realiza-los.
Eu perdi o medo cedo mas tenho que confessar que no final desse ano ele bateu na minha porta. Me fez abrir o bau dos sonhos esquecidos e tirar de dentro dele algumas fantasias antigas. Eu achava que elas já estavam emboloradas mas não.....preservavam o perfume do alecrim e da alfazema que as embalavam.
Como já contei outras vezes.....imaginava que se um dia eu me mudasse de São Paulo seria para Toquio ou Nova Iorque e eis que.....há 13 anos eu me mudava de São Paulo, para uma cidade de 4 mil habitantes, sendo que 3 mil deles viviam na zona rural.
No primeiro mês não desfiz minhas malas porque achei que não ia dar conta de trocar as buzinas pelo canto dos pássaros. Enganei-me.....a cada dia eu buscava esses cantos e comecei a ouvir outros barulhos, que eu temia na cidade grande. Ouvir a batida do próprio coração exige o silêncio que a cidade pequena me oferecia.
Nessa cidade que eu tinha escolhido para viver eu fiz geleias, temperos, hortas, amigos e amores, mas um dia chegou a hora de partir porque outro trem me esperava na estação e a passagem já estava reservada.
De novo, bateu o medo, mas mesmo com medo subi no vagão.
Quando vi o trem já tinha chegado na estação e ela era linda, como as que frequentei durante a infância e uma surpresa, ela tinha uma maria fumaça, que apitava e soltava "fumacinha" como os meus desenhos infantis.
Tinha chegado em Tiradentes, no coração de Minas Gerais e senti que estava seguindo direitinho a receita.
Aqui tudo é muito vivo, o dia amanhece com o céu completamente azul, a Serra de São José é imponente, as pessoas são amáveis, as ladeiras trazem nossa história em cada pedra do seu piso, as casas são perfumadas pelo cheiro dos temperos fritando.
Aqui tem o cheiro da minha infância, de momentos que achei que não fossem mais voltar e aí eu entendi que a melhor receita para a felicidade é irmos atrás do que acreditamos, do que faz o nosso coração bater.
Tudo isso é muito simples......a batida do coração pode ser mudada pelo sorriso de uma criança, pelo bom dia do vizinho, pelo abraço de um amigo, por uma carta que o carteiro traz na mala, por um e-mail ou encontro de alguém que já não víamos mais e que a tecnologia das redes sociais colocou novamente em nossos caminhos.
A felicidade é a vizinha trazer rosas, cultivadas no seu "terreiro" (quintal), com uma delicadeza de quem cultiva amigos e essas rosas serem tão perfeitas que você as cristaliza e serve sobre um sorvete de doce de leite, para que fique dentro de você, para que perfumem sua alma.
O Trem da Memória
O "Kitanda Brasil" os convida para o embarque no “Trem da Memória”
No próximo sábado, 26 de janeiro, a partir das 20:00h, A Catibrum Teatro de Bonecos, apresentará o espetáculo “O Trem da Memória”, no “terreiro” (quintal) do restaurante Kitanda Brasil, no bairro do Cascalho em Tiradentes e você é nosso convidado para embarcar nessa viagem.
O mini espetáculo de 9 minutos, que é o tempo que o trem fica parado na estação, para o embarque dos “passageiros” rumo a uma nova vida, no sanatório de Barbacena, longe de suas famílias e do seu passado, é apresentado a duas pessoas, de cada vez, que assistem por ângulos diferentes aos encontros e desencontros dos personagens na estação da vida.
O texto é uma livre adaptação do conto “Sorôco sua mãe e sua filha” de Guimarães Rosa e esse “trem” envereda pelos caminhos tortuosos da loucura, inspirado no universo de Guimarães Rosa e nas obras de Arthur Bispo do Rosário.
O “Trem da Memória” partirá da estação a cada 15 minutos e enquanto você espera sua partida ou após sua chegada poderá partir rumo à outra viagem.......”a viagem gastronômica” pelos quatro cantos do Brasil, que é o “menu degustação” do Kitanda Brasil.
Reserve o seu bilhete e Boa Viagem!!!!!!!
Kitanda Brasil – quitandas e quitutes
Rua Padroeiro Santo Antonio, 240 – Cascalho – Tiradentes/MG F: 32-3355.1560 ou 32-9156.5624
tanearomao@kitandabrasil.com.br
Mudanças exigem......
Mudanças exigem..........
Coragem, determinação, ousadia, curiosidade e principalmente flexibilidade.
Essa semana fez dois meses que mudei de casa, de cidade, de fornecedores, de médicos.....da vida que parecia estabelecida......
E o que mais ouvi é que mudanças exigem......e exigem mesmo.....exigem disponibilidade, exigem humor, alegria e disposição para aceitar o novo.
No primeiro mês foi fácil, a mãe veio junto, uma amiga queridissima congelou a vida e disponibilizou seu tempo para a minha "mudança" e tudo foi uma grande festa.
Amigos de Belo Horizonte e Tiradentes participaram de cada momento, apertaram parafusos, pintaram paredes, provaram pratos, foram garçons, cozinheiros, ajudantes, motoristas, pintores, encanadores..... e claro que "AMIGOS".
A montagem foi relâmpago porque para uma cozinheira, como eu, o fogo não pode ficar apagado muitos dias.
Restaurante montado, "terreiro"(quintal) lembrando o que eu tinha antes, cozinha com os tachos com frutas e açúcar borbulhando, um céu escandalosamente azul emoldurando a Serra de São José, e cada um seguindo sua vida.....a mãe voltando para São Paulo, a amiga voltando para sua serra de origem, os amigos do entorno voltando para suas funções e eu fazendo malas para o Terra Madre, em Turim.
Quase 20 dias fora, Turim no Terra Madre, São Paulo no Mesa Tendências e Prazeres ao Vivo e agora......em casa de novo. E aí senti que a mudança tinha acontecido mesmo.
Os pratos que eram adorados na minha morada antiga, agora eu os vejo como pratos da culinária tradicional e muitas coisas que eu não conhecia, agora sou eu quem diz "Amém".
Tiradentes apresenta restaurantes sofisticados, cozinha contemporânea, novos chefes, velhos cozinheiros, botecos com cartas de cervejas, música barroca na Igreja Matriz, às sextas feiras à noite, com um roteiro narrado que antecede o concerto, e conta as histórias......mas também apresenta a minha grande paixão.....
......botequins montados em fundos de quintais, que abrem em horários curtos, que funcionam depois do horário de trabalho dos donos, que durante o dia são operários da construção cívil, trabalham em outros restaurantes, cuidam de roças........
Isso tem sido a grande surpresa, comer "Pé de Porco" no Bar do Nandi, no caminho para São João Del Rei, comer "Torresmo de barriga com Angu e Jiló" no Agostinho, comer "Angu Baiano" (angu com miudos de porco) produzidos pela Andréia e seu marido Flaviano com uma cerveja geladíssima servida pela Cláudia que traz um sorriso no rosto e o Emanoel na barriga.
As verduras frescas no bairro do Giarola, o frango de televisão servido na porta do supermercado Karina, com farofa, maionese, vinagrete e arroz e outras descobertas.....
O almoço na casa da vizinha nova, que preparou a melhor omelete que eu já comi, recheada com espinafre, salsinha, tomilho, alecrim e servida com uma salada de folhas orgânicas, tomate cereja, mirtilo e manga........
Isso é minha nova vida, que no primeiro momento deu medo, e que agora eu entendo que o medo veio por causa do novo, o medo veio por conta do antigo, o medo veio porque estou viva e tudo que nos tira da zona de conforto dá medo.
Agora é seguir por essa estrada que se apresenta, é subir essa nova serra e poder beber da água das suas fontes, é olhar para o céu e ver que o azul daqui é um pouco diferente do azul de lá mas é tão mágico quanto.
Agora é ouvir o coração e respeitar o seu batimento.....agora é viver o que a vida está me dando.....
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